Oito anos na NCAA: O veterano Mohamed Toure enfrenta calouro de 18 anos

Mohamed Toure (1), linebacker do Miami Hurricanes, na a partida contra o Mississippi Rebels, pela semifinal do College Football Playoff (Fiesta Bowl 2026) no State Farm Stadium. (Foto: Mark J. Rebilas)
Mohamed Toure (1), linebacker do Miami Hurricanes, na a partida contra o Mississippi Rebels, pela semifinal do College Football Playoff (Fiesta Bowl 2026) no State Farm Stadium. (Foto: Mark J. Rebilas)

O confronto entre Miami Hurricanes e Notre Dame Fighting Irish, marcado para este sábado (7), em South Bend, já reúne ingredientes suficientes para ser um dos grandes jogos da temporada 2026 do futebol americano universitário. Miami chega invicto, com campanha de 8-0 e ocupando o primeiro lugar do ranking nacional. Notre Dame, por sua vez, tem retrospecto de 7-1 e aparece entre as principais equipes da temporada.

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Mas, além da importância do confronto, existe uma curiosidade envolvendo dois jogadores que estarão em lados opostos do campo: Mohamed Toure, linebacker camisa #1 de Miami, e Jonaz Walton, running back calouro de Notre Dame.

Quando Toure começou sua trajetória universitária, em 2019, Walton ainda estava no quinto ano do ensino fundamental. Agora, sete anos depois, os dois podem se encontrar em uma partida que coloca frente a frente um dos jogadores mais experientes da NCAA e um dos jovens talentos da equipe de Notre Dame.

Como é possível ficar no college football por oito anos?

A trajetória de Toure é bastante incomum, mas tem explicação nas regras de elegibilidade da NCAA e em duas lesões graves.

O linebacker chegou à Rutgers em 2019, recrutado durante a passagem de Chris Ash como treinador principal da universidade. Em sua primeira temporada, participou de apenas duas partidas e utilizou o chamado redshirt, mecanismo que permite ao atleta preservar um ano de elegibilidade quando atende aos critérios estabelecidos pela NCAA.

Em 2020, veio a pandemia de Covid-19. A NCAA concedeu uma temporada adicional de elegibilidade aos atletas, independentemente de quantas partidas disputassem naquele ano. Assim, a temporada de 2020 não entrou na contagem normal de Toure.

Em 2021, ele voltou a campo e disputou 13 partidas por Rutgers. No ano seguinte, sofreu uma ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), ficando fora de toda a temporada de 2022. Após a recuperação, retornou em 2023 e teve o melhor desempenho de sua carreira até então: 93 tackles, 9,5 tackles para perda de jardas e 4,5 sacks em 13 partidas.

Quando parecia ter recuperado a continuidade, uma nova ruptura do LCA o tirou de toda a temporada de 2024.

Com duas temporadas inteiras perdidas por lesões, Toure recebeu os benefícios de elegibilidade médica (medical redshirt), que permitiram preservar os respectivos anos de participação.

Em 2025, transferiu-se para Miami e disputou sua primeira temporada pelos Hurricanes. Foi titular nas 16 partidas, liderou a equipe com 84 tackles e recebeu menção honrosa na seleção All-ACC. Miami chegou à decisão nacional contra Indiana, e Toure registrou 11 tackles na final.

Em janeiro de 2026, confirmou seu retorno para mais uma temporada. Assim, chegou à sua oitava temporada no futebol americano universitário, mas utilizando apenas quatro temporadas de elegibilidade: 2021, 2023, 2025 e 2026.

Em outras palavras, a combinação de redshirt, exceção da pandemia e duas temporadas médicas permitiu que o linebacker permanecesse elegível por muito mais tempo do que o habitual.

Do quinto ano do fundamental ao futebol americano universitário

Do outro lado estará Jonaz Walton, running back de Notre Dame, que tem 18 anos e está em sua primeira temporada universitária.

Considerado um recruta quatro estrelas na classe de 2026, Walton chegou aos Fighting Irish depois de uma trajetória de destaque no high school da Geórgia. Em sua temporada de estreia na NCAA, já chamou a atenção com atuações expressivas, incluindo 181 jardas terrestres e dois touchdowns contra Stanford, em outubro.

O contraste entre os dois jogadores é impressionante: enquanto Toure iniciou sua carreira universitária em 2019, Walton ainda estava no ensino fundamental. Agora, o jovem running back terá pela frente uma defesa que conta com um linebacker que acumula oito anos de experiência no futebol americano universitário.

Chris Ash: a conexão entre os dois lados

A história ganha mais um detalhe interessante por causa de Chris Ash.

Em 2019, Ash era o treinador principal de Rutgers e responsável pela comissão técnica que recrutou Toure para a universidade. Foi durante sua gestão que o linebacker chegou aos Scarlet Knights.

Atualmente, Ash ocupa o cargo de coordenador defensivo de Notre Dame, justamente o adversário de Miami neste sábado.

Ou seja, o treinador que participou da chegada de Toure ao futebol americano universitário agora estará do outro lado do campo, comandando a defesa que tentará conter os Hurricanes.

Vale destacar que Ash não foi o responsável pelo recrutamento de Walton: o running back foi recrutado por outros integrantes da comissão técnica de Notre Dame. A conexão entre os dois jogadores acontece justamente pela trajetória de Ash em Rutgers e sua atual função nos Fighting Irish.

Um encontro de gerações em um dos grandes jogos da temporada

O duelo deste sábado reúne histórias que dificilmente se cruzariam de maneira tão curiosa: de um lado, Mohamed Toure, que começou sua trajetória universitária em 2019, superou duas graves lesões e encontrou em Miami a oportunidade de disputar sua oitava temporada. Do outro, Jonaz Walton, um jovem de 18 anos que está apenas começando sua caminhada na NCAA.

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Tiago Munden
Iniciou no esporte como jogador no Amazon Black Hawks (Manaus) em 2009. Passou pelo GET Eagles (atual Galo) e se aposentou dos campos em 2016, passando a atuar na diretoria da equipe. Em 2017, tornou-se membro da Touchdown Mineiro e da FABr Network, cobrindo principalmente o futebol americano em Minas Gerais. Ingressou no América Locomotiva em 2018 e, no mesmo ano, passou a integrar a FEMFA. Em 2021, foi vice-presidente da CBFA na chapa com Cris Kajiwara. Desde 2016, atua também como narrador, comentarista, colunista, fotógrafo e cinegrafista.

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