Flag ganha espaço nas escolas australianas com expansão da NFL

Mais de 100 mil pessoas lotam estádio na Austrália no jogo da NFL. (Foto: Cam Inman)
Mais de 100 mil pessoas lotam estádio na Austrália no jogo da NFL. (Foto: Cam Inman)

Enquanto a NFL aumenta sua presença na Austrália, o flag football vem construindo um caminho mais discreto, mas estratégico, nas escolas e comunidades da Austrália. A modalidade sem tackle é apontada pela liga como uma das principais ferramentas para transformar o futebol americano em um esporte praticado globalmente, e não apenas acompanhado pela televisão.

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A Austrália foi escolhida como um dos mercados prioritários para esse desenvolvimento. O flag football já é praticado em mais de 500 escolas australianas com a NFL promovendo clínicas e atividades para apresentar a modalidade a crianças e adolescentes.

Em Melbourne, o ex-wide receiver do Los Angeles Rams e sete vezes Pro Bowl Torry Holt participou de uma atividade na Balwyn High School, ensinando fundamentos da modalidade e técnicas para os jogadores desenvolverem suas habilidades de evasão.

Ex-jogador da NFL Torry Holt durante uma clínica de treinamento de flag football na Balwyn High School, em Melbourne, Austrália, em 8 de setembro de 2026. (Foto: Ian Ransom)

Para Holt, um dos principais atrativos do flag football é justamente sua acessibilidade. Por não exigir helmet, shoulder e outros equipamentos utilizados no futebol americano, a modalidade apresenta custo menor e pode ser praticada por meninos e meninas de diferentes idades.

A estratégia faz parte de um plano mais amplo da NFL para ampliar sua relevância internacional. A liga entende que o crescimento fora dos Estados Unidos não depende apenas da conquista de novos torcedores, mas também da criação de oportunidades para que as pessoas efetivamente pratiquem o esporte.

“Precisamos criar uma relevância que vá muito além da NFL”, afirmou Gerrit Meier, responsável pela área internacional da liga, à Reuters.

Nesse modelo, o retorno não é necessariamente medido por receitas imediatas ou pelo número de novos fãs da NFL. A inclusão do flag football no sistema escolar, por exemplo, é considerada um indicador de sucesso mesmo sem representar um retorno comercial direto.

Olho nos Jogos Olímpicos

O projeto ganhou ainda mais importância com a inclusão do flag football nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A modalidade fará sua estreia olímpica na competição, aumentando significativamente sua exposição internacional.

A permanência do esporte no programa olímpico, porém, ainda não está garantida para Brisbane 2032. A modalidade terá de disputar espaço com outros esportes que também buscam integrar o programa dos Jogos na Austrália.

O cenário cria uma motivação adicional para o desenvolvimento do flag football no país. A NFL informou que mais de 200 jogadores demonstraram interesse em disputar a competição olímpica, aumentando a possibilidade de que atletas conhecidos da liga participem de futuras edições.

Leia: Mais de 200 jogadores da NFL têm interesse nas Olimpíadas

A expectativa é que a presença de jogadores da NFL ajude a aumentar o interesse do público e fortaleça a imagem do flag football como modalidade esportiva independente, e não apenas como uma versão recreativa do futebol americano.

Na Austrália, portanto, o objetivo vai além de aproveitar o interesse provocado pela chegada da NFL. A aposta é criar uma base de praticantes nas escolas e comunidades para que o esporte tenha condições de crescer de forma sustentável.

O movimento mostra uma mudança importante na estratégia internacional do futebol americano: antes de buscar apenas espectadores, a modalidade procura formar jogadores. E o flag football, por ser mais acessível, inclusivo e barato, aparece como uma das principais portas de entrada para esse processo.

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Tiago Munden
Iniciou no esporte como jogador no Amazon Black Hawks (Manaus) em 2009. Passou pelo GET Eagles (atual Galo) e se aposentou dos campos em 2016, passando a atuar na diretoria da equipe. Em 2017, tornou-se membro da Touchdown Mineiro e da FABr Network, cobrindo principalmente o futebol americano em Minas Gerais. Ingressou no América Locomotiva em 2018 e, no mesmo ano, passou a integrar a FEMFA. Em 2021, foi vice-presidente da CBFA na chapa com Cris Kajiwara. Desde 2016, atua também como narrador, comentarista, colunista, fotógrafo e cinegrafista.

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