Victory Day transforma futebol americano em celebração de inclusão em escola

Cada participante teve a oportunidade de correr para a end zone e marcar seu próprio touchdown com narração em campo. (Foto: Dan Chalk)
Cada participante teve a oportunidade de correr para a end zone e marcar seu próprio touchdown com narração em campo. (Foto: Dan Chalk)

O futebol americano ganhou um significado especial na segunda-feira (14), na Midland Community Stadium, em Michigan, nos Estados Unidos. Cerca de 20 alunos com necessidades especiais da Midland High participaram do Victory Day, evento realizado anualmente pela escola e que utiliza o esporte como ferramenta de inclusão, integração e celebração.

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Em sua sétima edição na Midland High, o encontro colocou os estudantes no centro das atenções. Ao lado dos jogadores do time de futebol americano, eles participaram de atividades de agilidade, recepção, corrida e tackle. O momento mais aguardado veio no final: cada participante teve a oportunidade de correr para a end zone e marcar seu próprio touchdown.

A cada pontuação, o nome do aluno era anunciado pelo narrador via sistema de som do estádio. Nas arquibancadas e ao redor do campo, a torcida comemorava, enquanto a banda da Midland High respondia com gritos de “Yeah!”. O ambiente reproduzia a atmosfera de uma partida, mas, desta vez, os protagonistas eram os estudantes que participaram do evento.

“É como a sensação que todos nós temos quando praticamos esportes. Todos os olhos estão em você, todos estão torcendo por você. O fato de podermos proporcionar isso a eles é incrível”, afirmou Taber Benner, quarterback e aluno do último ano da Midland High.

A iniciativa, porém, vai além da atividade realizada dentro do estádio. Segundo Diane Sugnet, uma das responsáveis pela organização do Victory Day, o contato entre os estudantes durante o evento ajuda a criar vínculos que continuam no cotidiano escolar.

“Vai além do campo de futebol. Eles começam a se encontrar nos corredores, dão high-fives e simplesmente dizem oi. Existe essa inclusão. Eles são, de fato, Chemics (nome do time da escola, os Midland Chemics), e isso é o que torna tudo especial. Eles se sentem incluídos e fazem parte da família Midland High”, explicou.

Benner também destacou que a relação construída durante o evento ultrapassa o dia da celebração. Segundo o quarterback, os jogadores passam a reconhecer os alunos nos corredores da escola e fazem questão de cumprimentá-los pelo nome.

O Victory Day também contou com a participação de outras equipes e grupos da Midland High, incluindo vôlei, natação feminina, pom team, cheerleaders, banda marcial, conselho estudantil e outros alunos. A presença de diferentes setores da comunidade escolar reforça a proposta de mostrar que a inclusão é uma responsabilidade coletiva.

Para Khloe Eyre, aluna do terceiro ano e integrante do Conselho Estudantil, a participação de diferentes grupos é uma das características mais importantes do evento.

“É muito importante que vários grupos de pessoas se unam para mostrar à Midland High e à comunidade que pequenas e simples ações podem mudar a vida das pessoas, especialmente daqueles que talvez não sejam incluídos em outras atividades”, afirmou.

Neste ano, a programação também contou com uma novidade: a empresa DTE (DTE Energy, uma grande empresa de energia sediada em Detroit) ofereceu cachorros-quentes gratuitamente aos participantes e espectadores.

Uma ideia que nasceu em Michigan

Apesar de o Victory Day da Midland High ter se tornado uma tradição de sete anos, a iniciativa tem uma história mais longa. O conceito foi criado em 2010 pelo professor e treinador Aaron Segedi, em Trenton, também em Michigan.

Sobrevivente de câncer por três vezes, Segedi criou o evento como uma forma de retribuir à comunidade pelo apoio recebido durante sua trajetória. A proposta era simples: criar um momento em que estudantes com necessidades especiais pudessem experimentar a emoção, a atenção e o reconhecimento normalmente associados às competições esportivas.

A ideia acabou ultrapassando os limites de Trenton e se espalhou por outros estados americanos.

Em Midland, o conceito encontrou no futebol americano uma maneira poderosa de colocar a inclusão em prática. Durante uma hora, os alunos não estavam apenas participando de uma atividade esportiva: eram anunciados pelo nome, recebiam a torcida, cruzavam a end zone e comemoravam seus touchdowns.

Mais do que uma tarde de futebol americano, o Victory Day mostra como o esporte pode criar espaços de pertencimento, dentro e fora das quatro linhas.

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Tiago Munden
Iniciou no esporte como jogador no Amazon Black Hawks (Manaus) em 2009. Passou pelo GET Eagles (atual Galo) e se aposentou dos campos em 2016, passando a atuar na diretoria da equipe. Em 2017, tornou-se membro da Touchdown Mineiro e da FABr Network, cobrindo principalmente o futebol americano em Minas Gerais. Ingressou no América Locomotiva em 2018 e, no mesmo ano, passou a integrar a FEMFA. Em 2021, foi vice-presidente da CBFA na chapa com Cris Kajiwara. Desde 2016, atua também como narrador, comentarista, colunista, fotógrafo e cinegrafista.

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